• Jornal Barcarena

Sem reformas há anos, alunos do Palmira e Cônego revitalizam as escolas


Mato, falta de iluminação e de segurança, salas, carteiras e espaços em estado precário. Tudo isso e muito mais são os problemas de escolas estaduais no município de Barcarena. Mesmo diante dessas dificuldades, na necessidade de funcionamento para a educação de seus alunos, os próprios estudantes decidiram fazer o possível para revitalizar seus espaços de aprendizagem.



É o caso do Colégio Palmira Gabriel, localizado no bairro Novo, em Barcarena sede. Através do projeto Rally Cultural, que é uma série de atividades avaliativas, os alunos estão desde o dia 10 de outubro colocando a mão na massa para melhorar o colégio. Tudo também vale para comemorar os 17 anos do Colégio que será em 13 de dezembro.



Salas de aula foram pintadas, a cantina, biblioteca e demais ambientes. Há também jardinagem com material reciclável para deixar o ambiente mais bonito. Tudo é financiado pelos próprios alunos, professores e pais, que tiram do que tem para a melhoria da escola.

Sem reforma há mais de 15 anos, são vários os problemas do Palmira Gabriel, como relata a professora Wilma Poça. "Nossos problemas são duas salas que há mais de 7 anos não funcionam por conta de rachaduras. Outro problema é a parte elétrica que é velha. Nosso bebedouro não é suficiente para a demanda de alunos e a sala de informática está precária. Temos a falta de segurança que é muito sério já que fomos alvo de muitos assaltos. Falta iluminação na cantina e sinalização para cadeirantes", disse.



Dentre os centenas de alunos que ajudaram nos trabalhos, está a Aline Rodrigues, de 17 anos. Ela cursa o 2° ano e explica a importância da comunidade escolar cuidar do próprio ambiente na falta de reformas devidas. "Sobre revitalizar a minha própria escola e ver alunos tirando dinheiro do próprio bolso pra ajeitar uma escola que em breve deixaremos, foi primeiramente assustador e satisfatório, por saber que os jovens de hoje não se contentam com o pouco que têm, mas querem transformar a precariedade que vivemos, em um ambiente um pouco melhor", disse.

Para tentar solucionar os problemas da escola, o Palmira Gabriel realizou vários processos junto às autoridades estaduais, como pedidos de reforma à Seduc, onde uma reforma foi prometida com a interdição das duas salas, mas segundo o Colégio, até hoje não saiu do papel. Protocolos foram enviados ao Ministério Público, manifestações e passeatas pedindo melhorias também foram feitas. Uma reforma chegou a ser feita em 2017, mas não supriu as necessidades do local.

Caso Cônego Batista Campos

No bairro comercial de Barcarena sede os problemas se repetem no Colégio Cônego Batista Campos. Alvo de assaltos e de uma série de problemas estruturais, eventos como bazar, bingo e venda de chopp foram realizados para angariar fundos para fazer uma pequena reforma pela própria comunidade escolar.



A medida foi tomada pelo cansaço da espera por reformas adequadas, explica o diretor da escola, Airton Costa. "Reunimos com os pais e os alunos e decidimos não esperar mais, pois de tanto esperar poderíamos fechar as portas da escola pelas condições. Aí surgiu a ideia de nós mesmo reformamos a escola", disse.



Com 54 anos de história, segundo a comunidade escolar, há mais de 30 anos que o Cônego não recebe uma reforma. Com isso, vários problemas inquietam quem vive no ambiente. Os banheiros estão precários, a chuva molha as salas que danifica as mesas e carteiras, a fiação é antiga, o muro da parte de trás da escola caiu possibilitando qualquer pessoa a entrar na instituição, prejudicando a segurança de todos com vários assaltos.


Vendo essa situação, alunos saíram para a prática e lixaram as paredes, as pintaram, bem como as carteiras. Tudo foi financiado pelos eventos que realizaram para conseguir recursos, e com doação de professores e demais pessoas que se solidarizaram com a causa.



Mas o que a escola deseja é uma reforma adequada, já que em 2020 a proposta é que sejam excluídas as séries de 6° ao 9° ano para implantar o ensino médio no colégio - já que é responsabilidade do estado oferecer o ensino médio, e o município o fundamental. Para essa reforma, vários processos foram realizados pela escola junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça, que em dezembro de 2016 julgou e decretou ao estado a reforma imediata da escola, sob pena de multa por dia de descumprimento.


No dia 28 de novembro de 2019 membros da Seduc estiveram em Barcarena e visitaram o Colégio Cônego, em Barcarena sede, o Acy Barros, em São Francisco, e o Batista Campos, na Vila do Conde, cujo parte do telhado caiu e houve interdição pelos bombeiros.

O que diz a Seduc?

O Jornal Barcarena procurou a Secretaria de Estado de Educação - Seduc, para saber, de acordo com as realidades das escolas apresentadas pelo Jornal, quais os trabalhos serão desenvolvidos para reformar as escolas estaduais presentes em Barcarena. Em nota, a secretaria informou que "está licitando a obra de reforma de uma escola técnica de Barcarena. Outras duas escolas de ensino regular serão incluídas no cronograma de 2020".

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