• Jornal Barcarena

Henrique Rocha: o garotinho com autismo que ama o Caripi


Muita gente gosta de se divertir na Praia do Caripi por vários motivos. Mas existe um garotinho com um baita motivo para se deliciar com as belezas da praia. Ele tem 9 anos e se chama Henrique Rocha Gomes, filho de Cilene Rocha e Adriano Gomes, moradores da Vila dos Cabanos. O Henrique tem autismo, e segundo a mãe dele, só fica calmo quando chega no Caripi.

 

"No início ele tinha crises nervosas, chorava muito e eu sem saber o que tinha, levava ele todas as tardes pra praia, era quando se acalmava. Depois do diagnóstico, descobri que a maioria dos autistas gostam de água e ficam calmos", disse.  Cilene Rocha explica como descobriu que o filho tinha o autismo. "Com 2 anos percebemos que  ele era diferente na interação social. Tinha  quadro de doença frequente e não  falava. Aos 3 anos, com ajuda de uma equipe multidisciplinar iniciou-se a investigação e quando ele tinha 5 anos, recebi o diagnóstico conclusivo", disse.




Henrique e a família moram na Vila dos Cabanos, mas ao descobrirem a calmaria que ele tem quando chega na praia, os finais de semana já tem destino certo, como ressalta Cilene. "Durante a semana  moramos na Vila dos Cabanos e no final de semana vamos pro Caripi, pois temos casa lá. A nossa programação depende de como ele está", explicou. Quando chega no Caripi, Henrique brinca, sorri e fica muito feliz. Às vezes nem quer ir embora, como afirma Cilene. "Ele fica muito bem. Procuro deixar ele bem à vontade. Pela vontade dele, passa o dia na água", brincou a mãe. 


Além de amar a Praia do Caripi, Henrique também gosta muito de desenhar. Até está participando de uma exposição de desenhos de crianças autistas, da Galeria Aut, de autoria de Meiry Geraldo. "Ele já participar há 3 anos dos concursos. Geralmente são selecionados 17 desenhos pra votação na página. O Henrique já fez inúmeros desenhos, porém ele não gosta de ser fotografado quando está desenhando. Muitas das vezes quando vejo, ele já desenhou ou passa dias pra fazer um desenho. Deixo os materiais à disposição dele pra fazer quando tiver vontade. Até os 5 anos ele não falava, eu entendia o que ele queria, mas muita das vezes eu não conseguia, aí ele começou a desenhar pra se comunicar. Começou em casa, nas terapias e na escola. Desenha quando se sente à vontade", disse.




A neuropediatra do Centro Especializado de Reabilitação de Barcarena, Regina Célia Beltrão, explica o motivo pelo qual o Henrique tem essa paixão pela Praia do Caripi. "Os autistas se adaptam em ambientes amplos, com muito verde, com pouco barulho. Eles não gostam de ambientes muito fechados. Acho que a mãe do Henrique tem que fazer isso mesmo. A exposição dessas crianças é justamente isso, estimular elas. Vejo que a mãe conseguiu identificar uma situação que dá prazer à criança que é a exposição ao mar, à água, ao rio. A criança tá tendo contato com outra consistência, outra temperatura, outro ambiente e isso é ótimo", explicou.


O garotinho faz acompanhamento desde os 3 anos com uma equipe multidisciplinar. Atualmente faz no Centro de Reabilitação de Barcarena, na Vila dos Cabanos, na Apae Barcarena e estuda na escola regular. Segundo a neuropediatra, em Barcarena são cerca de 200 a 250 famílias que tem crianças autistas.




O que é o autismo?


Dificuldade para interação social, dificuldade com a linguagem e comportamento repetitivo e restritivo. Essas são as principais características de quem convive com o autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA).A maioria dos casos são em crianças do sexo masculino, por isso o símbolo da fitinha azul. Para identificar o autismo é preciso que os responsáveis pelo cuidado, sejam profissionais, sejam pais e cuidadores, estejam atentos ao desenvolvimento da criança e, quando necessário, busquem atendimento médico especializado que pode ser psiquiatra e/ou neurologista, pediatra. Por não se tratar de uma doença, o autismo não tem cura. Contudo, o SUS possui 218 Centros Especializados de Reabilitação em todo o país, com 189 serviços de reabilitação intelectual que podem atender autistas. Em Barcarena há os Centros Especializados e também o GAOPA - Associação de Apoio e Orientação aos Pais de Autistas.




Fotos: Cilene Rocha

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