Barcarena tem muito mais anos de existência do que se comemora. Antes de 1643, essas terras eram habitadas por tribos indígenas. Deste tempo até 1709 ocorreram as missões jesuíticas: Missão dos Mortiguara e dos Gibiriés.

 

Em 1758 os jesuítas são expulsos e é criado o lugar de Barcarena e Conde. Em 1833, pela divisão interdistrital do município de Belém, Barcarena figurava como 6° distrito e Aicaraú o 7°. Em 1897, o projeto de lei do senado da Câmara de Belém eleva a povoação à categoria de Vila.

Barcarena teve a sua emancipação político-administrativa com o Decreto Lei n° 4.505, de 30 de dezembro de 1943, data que se comemora o aniversário da cidade atualmente. O município de Barcarena foi incluído na mesorregião metropolitana de Belém desde o ano de 2017.

 

Tem uma área de 1.310,588 Km2, distante 25 Km em linha reta da cidade de Belém. Limita-se ao norte com a baía do Guajará e o município de Belém; al sul com o município de Moju e Abaetetuba; a leste com a baía do Guajará e o município do Acará e a oeste com a baía do Marajó.

AS MISSÕES RELIGIOSAS

 

Antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores, essa região era povoada por índios. Nas terras do atual município de Barcarena havia povos nativos que transitavam. Eles faziam parte do tronco tupi. Espalhavam-se por esta vasta região os Gibirié, os Mortiguara e outros tantos.

 

Habitavam as margens dos rios, alimentando-se daquilo que a natureza lhes oferecia. Não conheciam instrumentos mais sofisticados.  Por volta do final do século XVII, as terras dos indígenas foram ocupadas pelos europeus. Na fronteira da baia do Marajó, assentava-se a missão religiosa de Mortiguara, na atual Vila do Conde.

No estreito canal da aldeia do Gibirié, recebia em forma de sesmaria (lote de terra que os reis de Portugal cediam para cultivo), o português Francisco Rodrigues Pimenta, uma légua de terras, criando a Fazenda Gibirié, primeira povoação de Barcarena, localizada na atual Vila de São Francisco Xavier.

 

Em 1709, o proprietário desta fazenda resolveu doar as terras aos padres jesuítas com a condição de não as vender. Ali surgia em torno de uma igreja dedicada a São Francisco Xavier, a missão dos Gibirié. Foi nesta ribanceira elevada às margens do rio que foi edificada uma igreja que media 55 para 60 palmos de comprido e vinte e cinco de largo.

Na missão dos jesuítas havia habilidosos escultores em madeira, como os índios Marçal, Ângelo e Faustino, que esculpiram as imagens existentes na Igreja de São Francisco. Embora a missão Gibirié tenha sido o núcleo fundador da cidade de Barcarena, este povoado não foi o ponto principal das missões religiosas instaladas pelos jesuítas nesta região.

Seria na terra dos Mortiguara  (atual Vila do Conde) o lugar onde os missionários jesuítas fizeram um importante trabalho de catequese dos índios. Instalada desde 1653, a missão religiosa Mortiguara chegou a ser chamada de Arca de Noé por abrigar tantos indígenas.

 

Essa aldeia missionária recebeu índios de diversas localidades da Amazônia, como os bravos índios Aruan, da costa da ilha do Marajó, que ali foram misturados à população local. Ao longo de sua existência, Mortiguara chegou a possuir cerca de 800 índios arqueiros e 50 que dominavam o uso de armas de fogo.

 

No final do século XVII, a missão Mortiguara estava entre as cinco mais populosas deste espaço do território amazônico. Sua importância também pode ser notada pelos religiosos que ali residiam, como o frei João Felippe Bettendorff e o padre Antônio Vieira.

 

Em 1750 D. José I foi coroado rei de Portugal e nomeou para o cargo de primeiro ministro o Marquês de Pombal. Esse administrador foi responsável pela expulsão dos jesuítas do Brasil. Por meio desta política, as antigas missões religiosas tiveram os nomes modificados.

As antigas aldeias indígenas, que tinham se tornado missões religiosas, tiveram denominações substituídas por nome de cidades portuguesas. A aldeia indígena de Samaúma, na missão religiosa chamada de São Miguel de Samaúma, chamou-se Vila de Beja. A aldeia Mortiguara, antiga São João Batista de Mortiguara, chamou-se Vila do Conde. Já a aldeia Gibirié, antigo São Francisco Xavier de Gibirié, chamou-se Barcarena.

O NOME BARCARENA

 

Nos arredores de Lisboa fica localizada a pequena freguesia de Barcarena. Este foi um dos nomes portugueses que chegou com as reformas de Pombal na Amazônia. Assim, a antiga missão religiosa de Gibirié no Grão-Pará passou a se chamar Freguesia de Vila de Barcarena, inspirada no nome de outra cidade portuguesa.

 

Atribui-se à influência árabe a origem do nome Barcarena, segundo se pode observar num dicionário denominado "Vestígios da Lingoa Arábica em Portugal", escrito em 1830, pelo frei João de Souza.

 

Nesta obra localiza-se o verbete Barcarena com o seguinte significado: Barr. (Terra ou campo), Carra (habitar) e na (nós). Significando algo como "terra da nossa habitação". Porém mora entre os habitantes da cidade a velha história de uma imensa barca que aportou na cidade. Por ser tão grande foi-lhe dado o nome de arena, que ao juntar as duas palavras Barca + arena, chamou-se Barcarena.

A CABANAGEM EM BARCARENA 

 

Barcarena foi palco para as tramas que levaram às invasões de Belém em 1835. A cidade foi o local onde viveram e morreram os principais líderes da cabanagem e principalmente de onde saíram as populações humildes que participaram deste evento.

 

Ainda hoje é possível localizar em Barcarena famílias ligadas à Revolução de 1835-40, como Malcher, Pimentel, Dias, Vasconcelos, entre outros. Um dos episódios considerados marcantes para o início do movimento cabano se deu em Barcarena no dia 31 de dezembro de 1834, no furo do Arrozal, que na época era chamado de Atiteua.

O que aconteceu foi a trágica morte de Cônego Batista Campos. Esse religioso era influente entre as populações humildes por ser contra o governador da época Bernardo Lobo de Souza. Sua morte ocorreu quando fugiu das perseguições ordenadas pelo governante ao cônego. Depois de vários dias escondendo-se na casa de amigos, o cônego pediu abrigo na Fazenda Boa Vista, do padre Eugênio de Oliveira Pantoja, que ficava no furo do arrozal.

 

Já muito abatido, ali adoeceu em função de um ferimento no rosto causado por uma espinha carnal que ele cortou quando fazia a barba na Fazenda de Amanajás. O corpo do cônego foi sepultado em Barcarena nos arredores da Igreja de São Francisco Xavier, conforme costume da época. 

 

Eduardo Angelim teve uma história parecida. Depois de ter sido o terceiro governador cabano, chamado Eduardo Francisco Nogueira, foi apelidado de Angelim por ser forte como uma espécie de madeira da Amazônia. Em 1836 foi preso no Acará.

Como prisioneiro foi enviado ao Rio de Janeiro e depois para a Ilha de Fernando de Noronha. Em 1851, retornou ao Pará, fixando residência em sua propriedade na fazenda Madre de Deus, em Barcarena, onde morreu em 1882. Em 3 de janeiro de 1985 o crânio de Angelim foi encontrado no sítio.

 

Desde 1897, o bacharel e deputado Antônio Firmo Dias Cardoso Júnior havia realizado homenagens e cerimônias para celebrar a memória de Cônego Batista Campos, renomeando a praça em frente a secular igreja de São Francisco Xavier com o nome do mártir cabano. Angelim não deixou de ser lembrado. Tem nome encontrado em escolas e embarcações.